Projeto:
UM
OLHAR NEGRO
Reijane
Pereira S. Stempien
Apresentação
O
presente projeto apresentará sobre a cultura afro brasileira sob o ponto de
vista regional (local) através de uma Exposição fotográfica sobre a presença da
cultura negra na nossa cidade.
Público-Alvo:
O projeto englobará a disciplina de Arte e Língua
Portuguesa
Motivação:
Diante
de uma antiga preocupação dos movimentos negros em integrar os assuntos
africanos e afro-brasileiros ao currículo escolar. O que impulsionou para a
realização deste projeto deve-se ao fato que em 2003, foi promulgada a lei nº
10.369 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), passando-se a
exigir que as escolas brasileiras de ensino fundamental e médio incluam no
currículo o ensino da história e cultura afro-brasileira; outro ponto foi uma
situação em que encontrei dentro da sala de aula ao expor qual seria o conteúdo
que iriamos trabalhar em Arte (cultura afro-brasileira e seus principais
representantes na arte) e então surgiu alguns questionamentos e indagações
preconceituosas de certos alunos sobre o assunto, como: de uma forma bem irônica
e crítica o aluno questionou “pra quê
estudar isso, acho uma perda de tempo”, “ tem tantas assuntos para estudarmos
em Arte porque estudar esse assunto que não irá nos levar a nada” . Diante
disto percebi o quanto os alunos estão alheios a este assunto além do mais
percebe-se o preconceito enraizado pela sua própria comunidade tendo em vista
que a cidade de Porto Nacional possui uma grande quantidade de negros e
inclusive remanescentes de quilombola. Além do mais, como educadores percebemos
que na maioria dos livros e materiais
didáticos que temos em mãos, as contribuições dos africanos e seus descendentes
brasileiros são geralmente ausentes dos livros didáticos e quando são presentes
são apresentadas de um ponto de vista estereotipado e preconceituoso.
Geralmente, os brasileiros de ascendência africana,
ficam privados da memória de seus ancestrais no sistema do ensino público
oficial, além de acarretar uma baixa auto-estima e a construção de uma
identidade negativa. Causa também conseqüências psicológicas
para a criança afro-brasileira de um processo pedagógico que não reflete a sua
face e de sua família, com sua história e cultura própria, impedindo-a de se
identificar com o processo educativo. Como se refere a professora Mestra Rubia
Margaeth[1]:
“Essa distorção resulta em complexos de inferioridade da criança negra, minando
o desempenho e o desenvolvimento de sua personalidade criativa e capacidade de
reflexão, contribuindo sensivelmente para os altos índices de evasão e
repetência.”
Assim,
senti uma responsabilidade mais ainda por ser educadora e com desejo de
transformar a visão desses alunos através de olhar crítico e capaz de valorizar
a sua própria cultura.
Objetivo
Geral
·
Resgatar a contribuição da cultura negra na
região local através da desconstrução da imagem
Objetivos
específicos
•
Despertar para a africanicidade brasileira em manifestações na
arte, esportes, culinária, língua, religião, como elementos de formação da
cidadania.
• Discutir e conhecer as
personalidades negras que deixaram ou estão deixando sua contribuição nos
diversos setores da sociedade, como expressões culturais, desportivas,
artísticas, políticas, musicais, religiosas etc.
•
Transformar
a visão dos alunos sob um olhar crítico através da arte fotográfica sobre a
história e cultura afro-brasileira na região de Porto Nacional.
Público
alvo:
Estudantes da 3ª série do Ensino Médio, da rede pública estadual, CEM Felix Camoa de Porto Nacional.
O
que este projeto pode representar:
Um dos papéis fundamentais da instituição escolar é
buscar romper com os estereótipos e refletir sobre nossas trajetórias,
identidades e alternativas a fim de edificar uma escola pluricultural e assim,
o presente projeto fará com que o aluno se sinta um protagonista da sua
história e do seu legado.
Metodologia
-
Através de uma oficina com os alunos em referência a lei10.369 da LDB de
2003 resgatar a contribuição da cultura negra no país e na nossa região
- Primeiro: trabalharemos a desconstrução
sobre a cultura afro e afro-brasileira; Heranças africanas; Esta
desconstrução acontecerá através de uma discussão em sala de aula a partir da
obra de Pieter Hugo, fotógrafo contemporâneo.
- Estratégias
para discussão em sala de aula: Pieter Hugo (PH)
|
Abdullahi Mohammed with Mainasara,
Lagos, Nigeria 2007
|
Leitura:
O que você vê nessa
fotografia?
Como você vê?
Quais reações?
O que você sabe sobre esse
trabalho?
Relações:
Você conhece alguma situação
semelhante?
Você crê ser pertinente o
posicionamento do fotografo diante da situação?
Qual é o papel da Arte
diante dessa situação?
Que outros
artistas/trabalhos é possível relacionar com o trabalho do PH?
|
Contexto:
Pieter
Hugo é considerado um talentoso fotógrafo da atualidade, seu trabalho está
fortemente pautado na crítica social e inclui ensaios sobre tuberculosos no
Malawi, do genocídio em Ruanda, escravidão no Sudão, comunidades idosas e
albinos da África do Sul.
Segundo
PH esta série de fotografias, apresentadas na 27ª BASP, surgiu depois que um
amigo lhe enviou uma imagem tirada em um celular através de uma janela de carro
em Lagos, na Nigéria, que mostrava um grupo de homens andando na rua com uma
hiena em cadeias. Poucos dias depois viu a imagem reproduzida em um jornal Sul
Africano com a legenda The Streets of Lagos com informações de que estes homens
eram ladrões de banco, guarda-costas, traficantes, cobradores de dívidas.
PH
conseguiu, através de um amigo, informações que o levou até o grupo onde
descobriu que eles eram um grupo de trovadores itinerantes, membros de uma
família, que usavam os animais para entreter multidões e vender medicamentos
tradicionais e estavam praticando uma tradição passada de geração em geração.
PH
aponta que a série de imagens causa diferentes reações que vão da repulsa a
curiosidade e que muitos se preocupam com o direito dos animais, mas raramente
alguém expressa forte preocupação com o bem-estar do grupo de pessoas. A
questão levantada pelo artista é por que esses artistas precisam para capturar
animais silvestres para ganhar a vida? Ou porque são economicamente
marginalizados? Ou por que a Nigéria, 6º maior exportador de petróleo do mundo,
possui tamanha desigualdade econômica?
A
escolha do artista é pelo fato das imagens apresentadas terem sido apresentadas
dentro do próprio Continente Africano por meio da mídia num viés afro
pessimista e seu processo de desconstrução.
Segundo momento: Oficina sobre fotografia: Como trabalhar com a fotografia
Terceiro momento: Compreender o processo de pesquisa investigativa na nossa região através
de entrevistas, fotografias e relatos escritos sobre a contribuição do negro
para a nossa região;
Quarto momento: Aula- campo = Pesquisa investigativa através de coleta de
entrevista e fotografias com os moradores da região;
Quinto Momento: Roda de debates sobre a pesquisa feita e o material colhido através das
fotografias e entrevistas e escolhas para a exposição;
Sexto Momento: Oficina de Produção literária sobre a
contribuição do negro para a nossa região, revisão de texto; produção dos
folders e banners para exposição fotográfica;
Momento final - Exposição fotográfica: “Um olhar negro” e mostra das produções
literárias em folders e banners sobre a importância da cultura negra na nossa
região, desenvolvidos através da pesquisa de campo realizada pelos alunos sob a
orientação dos professores de Arte e Língua Portuguesa.
Instrumentos, materiais e técnicas a serem utilizados:
- Laboratório de informática para pesquisa e
produção de texto
- Sala de aula para oficinas
- técnica de escrita – produção literária
- técnica de fotografia – da fotografia à
revelação
Materiais:
Data-show
Máquinas fotográficas
Papel cartão preto e branco
Cola
Papel A4
Tinta para impressão
Papel próprio para fotografia
7. Referências de conceitos, artistas, projetos, obras ou fragmentos
LEI N° 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003
LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - ENSINO
MÉDIO (PCNEM)
ARCHER, Michael. Arte Contemporânea, uma
história concisa. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
BITTENCOURT, Circe (org.) O saber histórico na
sala de aula. São Paulo: Contexto, 1998.
CAUQUELIN, Anne, A Arte Contemporânea, Porto,
Rés Editora, s.d.
DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros
ensaios. 4ª ed. Campinas, S.P.: Papirus, 2000.
HUGO, Piter.
http://www.pieterhugo.com/the-hyena-other-men/acessado em 19 de outubro de
2014.
MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O Negro
no Brasil de Hoje. São Paulo: Editora Global, 2006.
MILO, Yosso.http://www.yossimilo.com/artists/piet_hugo/?show_bio=bioSONTAG,
Susan. “Sobre fotografia”. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
I Colóquio Interestadual "Histórias
e culturas africanas e afro-brasileiras na escola"
http://www.mundojovem.com.br/projetos-pedagogicos/cultura-africana-e-afro-brasileira
/ acessado em 15 de outubro de 2014
http://www.brasil.gov.br/educacao/2014/08/projeto-escolar-reconhece-potencial-da-cultura-afro-brasileira
acessado em 19 de outubro de 2014
I Colóquio Interestadual "Histórias
e culturas africanas e afro-brasileiras na escola" São Paulo, 2011. http://ensinomedio.net/documents/ISBN-978-85-99697-13-9.pdf acessado em 19 de outubro de 2014
http://projetoculturaafro.blogspot.com.br/ acessado em 19 de
outubro de 2014
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